sábado, 20 de novembro de 2010

O SIGNIFICADO DA PRECE



A palavra hebraica tefilá é geralmente traduzida para outros idiomas pelas palavras "prece" ou "oração", mas esta não é uma tradução fiel, pois fazer uma prece significa pedir, suplicar, implorar e termos semelhantes, para os quais existem diversas palavras hebraicas que transmitem este sentido com maior precisão.

As preces cotidianas não são simples pedidos dirigidos a D'us para prover as necessidades do dia-a-dia e nada mais. Tais pedidos também são incluídos nas orações, mas na realidade as preces são muito mais do que isso.

Por que rezamos
A prece é um mandamento de D'us. Ele ordenou que dirigíssemos nossas preces a Ele tão-somente. Em tempos de atribulação devemos nos voltar para D'us em busca de ajuda; em tempos de bem-estar devemos expressar nossa gratidão; e quando tudo vai bem conosco devemos ainda orar a D'us, todos os dias, para que Ele continue a nos mostrar Sua benevolência e nos conceda nossas necessidades.

Por que devemos orar a nosso Pai; não sabe Ele melhor do que nós mesmos, quais são nossas necessidades? Não é D'us, pela Sua própria natureza, bom e benevolente e sempre disposto a nos ajudar? Afinal de contas, os filhos não "rezam" aos pais que os amam para que os alimentem, os vistam e os protejam; por que então deveríamos orar a D'us por estas coisas?

Como todos os outros mandamentos que D'us nos ordenou cumprir, não por Ele, mas por nós, Ele nos mandou orar a Ele pelo nosso bem. D'us não precisa de nossas preces, mas nós não podemos ficar sem elas. É bom para nós mesmos reconhecer nossa dependência de D'us para a vida: a saúde, o pão de cada dia e o bem-estar em geral. Devemos fazê-lo todos os dias e repetidamente. Devemos recordar frequentemente de que nossa vida e felicidade são um presente do Criador misericordioso. D'us não nos deve nada; no entanto, Ele nos dá tudo.

Devemos tentar agir da mesma forma em relação aos nossos semelhantes; ajudá-los com amor e sinceridade. Devemos expressar nossa gratidão a D'us, não com palavras apenas, mas através de atos, obedecendo Seus mandamentos e seguindo Sua orientação através da Torá e do cumprimento das mitsvot, preceitos.

Mesmo em tempos de tribulação não desesperaremos, pois sabemos que, de alguma forma, o que quer que nos aconteça é para o nosso bem, em forma de uma bênção disfarçada.

SER JUDEU


Ser judeu é lembrar de grandes homens sábios que trouxeram para a humanidade o conhecimento acerca do Eterno e de Sua palavra... Moshe dá início a esse “derramar” de conhecimento celestial na terra recebendo a Torah; Shlomo há melech recebe além do conhecimento a sabedoria que extrapola a tudo aquilo que o homem jamais vira ou ouvira em toda a terra.

Ser judeu é poder ser participante de algo que teve início com o Eterno desejando criar tudo aquilo que existe e consumando o seu desejo passando o primeiro shabat da história da criação ao lado do Criador – através de Adan! E o mais importante é que a cada shabat relembramos este momento tão singular em nossa história, coisa que outro povo não pode fazer, pois não deseja estar numa dimensão de unidade da terra com os céus!

Ser judeu é poder estar conectado às palavras dos profetas e sábios judeus; é poder viver relembrando as palavras que vieram dos céus e que hoje a terra recebe através de milhões de judeus espalhados pelo mundo... Este privilégio é único, pois fomos nós que recebemos do Eterno não somente a sua Palavra como também a oportunidade de vivermos aquilo que poucos seres humanos podem viver: a alegria de ser uma pessoa que carrega dentro de si uma centelha da eternidade que permanece acesa dia e noite em seu coração!

Ser judeu é poder estar espalhado pelo mundo influenciando-o e fazendo de tudo para que a cada dia haja um amanhã melhor... A história dos judeus no mundo surpreende e revela algo que já sabemos: somos únicos! Por onde passamos ficam sempre marcas de amor e de uma nova esperança... Assim foi no tempo dos patriarcas, dos reis e profetas...

Finalmente ser judeu é ser perseguido em qualquer lugar e a todo o instante... Esta tem sido a tônica de nossa história pelos séculos a fio; porém a cada grande perseguição transformamos isso numa festa: foi assim com Pessach, quando os egípcios tentaram nos matar e ganhamos a festa da libertação; foi assim em Purim quando Hamam tentou dizimar os judeus do império e falhou por que a rainha que ocupava o trono era uma judia... Finalmente temos Chanucá, quando império Romano desejou matar a alma judaica assimilando-nos e tornando-nos como os gentios... Eles somente não contavam que uma família de sacerdotes guerreiros se levantaria para “zelar” pela integridade do judaísmo e do judeu...

Ser judeu é ser parte da história como nunca outro povo foi ou será; é carregar consigo seis mil anos de história sabendo-se que esta história ainda não terminou de ser contada...

Certamente vivemos no limiar da história e ainda contaremos ao mundo o final dela através do Mashiach, pois será através de sua vinda que será resgatado parte de seu povo e depois lutará contra os últimos opressores de Israel.

Conhecemos o final de nossa história: VITÓRIA!

O NOSSO IDIOMA - O LADINO

É impossível não ficar emocionado com a sonoridade do idioma ladino, aquele falado pelas nossas avós, assim como a minha, metade espanhola, metade italiana, mas 100% judia.
Versão em ladino
El djudeo-espanyol o ladino es la lingua avlada por los sefardim, djudios ekspulsados de Espanya en 1492. Es una lingua derivada del espanyol i avlado por 150.000 personas en komunitas en Israel, Turkia, antika Yugoslavia, Gresia, Maruecos, entre otros.
Versão em espanhol
El judeoespañol o ladino es la lengua hablada por los sefardíes, judíos expulsados de España en 1492. Es una lengua derivada del español y hablada por 150.000 personas en comunidades en Israel, Turquía, la Antigua Yugoslavia, Grecia, Marruecos, entre otros.
Versão em português
O judeu-espanhol ou ladino é a língua falada pelos sefarditas, judeus expulsos de Espanha em 1492. É uma língua derivada do espanhol e falada por 150.000 pessoas em comunidades em Israel, Turquia, antiga Iugoslávia, Grécia, Marrocos, entre outros.

Poema ladino

"Avre este abajur, biju
avre la tu ventana
por ver tu kara morena
al Dió daré mi alma.
Por la puerta io pasi
y la topi cerrada;
la iavedura yo besi
como besar tu cara.
No quiero más que me avlesh
ni por mi puerta pasesh;
más antes me keríash bien
angora te ielatesh.
Si tú de mí te olvidarásh,
tu ermozura piedrarásh.
Ningún ninyo te endenyará
en los mis brazos muerash."

NOSSAS FESTAS

O que se come - e o que é proibido comer - nas comemorações religiosas do calendário judaico

SHABAT


É a comemoração do dia do repouso – do pôr-do-sol da sexta-feira ao pôr-do-sol do sábado. Considerado símbolo de louvor e de evocação ao descanso do Senhor, neste dia o judeu não trabalha – e nem cozinha. Sendo assim, grande parte dos pratos é preparada no dia anterior ou são comidos frios. A festividade inclui vinho, challot (pães trançados), peixe ou carne. Entre os judeus marroquinos, o prato principal é o hamin ou adafina, um cozido de ovos, grão de bico e carne. Os judeus ashkenazim têm um prato semelhante para o shabat. Trata-se do tchulent, um cozido preparado com feijão branco, galinha e carne de peito.

PURIM


Celebrado anualmente no 14º dia do mês hebraico de Adar, o Purim – ou Festa dos Sorteios – comemora a vitória da sobrevivência judaica sob domínio persa. O costume judaico nessa época é beber muito vinho, comer fritura e dar e receber mishloach manot – docinhos. Dois pratos entre os mais típicos na celebracão do Purim são as latkes (bolinhos de batatas raladas) e os sufganiot (sonhos).

YOM KIPPUR


É a data mais sagrada do ano judaico. Ocorre exatamente dez dias depois do Ano Novo, começando e terminando com uma refeição festiva. A que precede o jejum de 24 horas é leve, com frango, e sem temperos fortes, como pimenta e canela. Bebidas alcoólicas ficam de fora, para não dar sede. Já o jantar que encerra a celebração é farto e traz muito peixe salgado ou curtido para que sejam repostos os sais minerais perdidos durante o dia anterior.

SUCOT



Também conhecida como Festa das Tendas, começa cinco dias depois do Yom Kippur e comemora duas passagens importantes da religião: a forma como os judeus viveram por 40 anos no deserto e o início das colheitas, principalmente das frutas. Nessa época, as crianças vão para as sinagogas carregando um maço com folhas de palmeira, mirta e salgueiro. As refeições são à base de frutas e há arranjos nas sobremesas e no entorno das mesas.

PESSACH



Durante os dias da Páscoa judaica, quando é celebrado o Seder (“ordem” em hebraico), os judeus são proibidos de comer qualquer alimento fermentado. As casas são limpas de tudo o que possa ter fermento para relembrar os dias iniciais da peregrinação, nos quais não havia tempo para fermentar a massa. O primeiro jantar do feriado tem caráter didático. Os pais devem fazê-lo para ensinar os filhos sobre a saída dos judeus do Egito e o valor da liberdade. Tudo o que é servido tem um símbolo. No centro da mesa fica um prato redondo com seis alimentos: um pedaço de osso assado (representando o cordeiro pascal), um ovo cozido (que lembra o ciclo da vida), uma erva amarga e uma alface (ambos simbolizando o sofrimento da escravidão), uma massa de nozes e maçãs picadas, com gengibre e vinho (referência aos tijolos que os escravos judeus faziam) e salsão ou aipo (que representam o trabalho árido do povo escravo). Também nessa data, são preparados os famosos matzot, pães sem fermento, separados em três fileiras principais, tipificando a geração de Abraão, Isaac e Jacó e as famílias Cohen, Levi e Israel. No Seder, todo judeu deve beber quatro copos de vinho, que correspondem às quatro expressões de liberdade mencionadas na Torá.

CORES E AROMAS


Ao contrário dos ashkenazim, os judeus sefaradim desenvolveram uma gastronomia colorida e aromática. Por terem permanecido mais tempo nos lugares para onde migraram e se adaptado melhor, eles puderam influenciar e serem mais influenciados. Foi durante os 200 anos de cativeiro do Egito (1700 a.e.c.), por exemplo, que os judeus conheceram a galinha, o alho e a cebola.

Mais tarde, expulsos da Espanha durante a Inquisição, eles se dispersaram por todo o Mediterrâneo. Em terra fértil, cozinhavam com abundância de frutas, ervas, grãos e especiarias. No cardápio sefaradi, há ingredientes como alcachofras, aspargos, espinafre, berinjela, azeitonas e feijões variados, além de amêndoas, tamarindos, abricós e uvas – alimentos com os quais os judeus do Leste Europeu jamais sonharam.

A cozinha sefaradi difere de um país para outro e, às vezes, de uma cidade para outra. Há, no entanto, uma unidade na preparação dos pratos. Um dos mais comuns é o couscous, tradicional do norte da África, feito com semolina. Há também os mustatchudos, docinhos de nozes para ocasiões especiais, e a sopa de moloheia, vegetal de sabor forte, semelhante ao espinafre.

SEFARAD, SEFARADI E SEFARADIM

                                 Sepharadic men in YIsrael - 1889.


Sefarad é um topônimo de origem hebraica, que se menciona pela primeira vez na profecia de Abdias, versículo 20, como um dos lugares que habitavam deportados de Jerusalém. Muitos acreditam que a alusão bíblica se referia à antiga Sardis, cidade da Ásia Menor, mas a tradição judaica, principalmente a partir do século VIII, tendeu a identificar o termo Sefarad com o extremo ocidental do mundo conhecido, ou seja, a Península Ibérica, de modo que, durante toda a Idade Média, e especialmente durante a época de ouro da cultura hispano-hebraica e também em sua diáspora, os judeus espanhóis se referissem assim a essa região.


Sefaradi, portanto, é o gentílico com o qual se autodenominam os judeus espanhóis, e sefaradim, seu plural, respeitando a morfologia hebraica. No Brasil, também aparecem os termos sefardim e seu plural sefardins, bem como o termo sefardita e sefarditas.
O termo sefaradi também se utiliza com freqüência em oposição ao termo askenazi, este em alusão a Askenazi, outro tronco étnico-cultural do judaísmo: o franco-germânico-eslavo. O termo Askenazi, assim como Sefarad, também é um topônimo bíblico, que em sua origem parece referir-se a um país do alto Eufrates colidente com a Armênia, e que os judeus a partir da Idade Média identificaram com os primeiros assentamentos judaicos centros-europeus: Alemanha, Norte da França, Polônia e Lituânia, entre outros.

É importante esclarecer o significado e usos desses termos porque, em sua diáspora, os sefaradim tomaram contato com outros grupos judaicos: os já citados askenazim; os judeus romaniotas, provenientes do antigo Império Romano e assentados na região do Oriente mediterrâneo; os judeus arabizados; os caraítas; e outros.

Apesar de dispersos em muitos países, os sefaradim sentiram o perigo do desaparecimento do judeu-espanhol e vêm lutando para preservar sua cultura, seus valores, sua tradição e sua língua. Formaram comunidades novas, ativas e unidas, principalmente em Madri, Paris, Buenos Aires, Caracas, Lima, Toronto, Montreal e Israel. No Brasil, grupos de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul vêm se esforçando em manter a riqueza cultural sefaradi, principalmente por meio da música.

Os sefaradim tinham sempre uma música para cada ocasião, desde a aurora até o crepúsculo. Entoavam canções para celebrar o nascimento, o namoro, o noivado, o casamento, as brigas conjugais e até mesmo a terrível dor de cotovelo. As mais lindas melodias de ninar e os mais belos poemas de amor de todos os tempos fazem parte desse fantástico repertório medieval ibérico que os Sefaradim conseguiram preservar intocado por vários séculos.